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A importância das narrativas na educação socioambiental

Por Felipe Leal Barquete

A matéria-prima do Ecoar são as histórias que reafirmam o pertencimento do ser humano à natureza. Por meio delas, apresentamos aos educandos as diversas culturas e suas cosmovisões, incentivamos a reflexão sobre os problemas ambientais e promovemos a interação com o território como método para a criação de suas próprias narrativas.

Por milênios, nos reunimos em roda e contamos histórias com o objetivo de garantir a sobrevivência da espécie. Elas fortalecem nossos laços afetivos e o senso de pertencimento ao grupo, criando um ambiente propício à partilha de experiências, à elaboração das emoções e à nutrição dos sonhos que dão sentido à vida.

No processo de aprendizagem, as histórias articulam as dimensões estética, cognitiva, emocional e social do ser humano. Ao nos relacionarmos com elas, estimulamos as conexões entre os hemisférios esquerdo e direito do cérebro, especialmente nas áreas responsáveis pela produção da linguagem, pela associação de informações e pela elaboração de representações simbólicas, o que favorece a memorização e a integralização daquilo que aprendemos.

A intensa circulação de narrativas nas mídias digitais e redes sociais demonstra como, em um sentido mais profundo, elas efetivamente impactam comportamentos e moldam novos mundos. Nesse contexto, as narrativas audiovisuais podem ampliar as possibilidades da educação socioambiental, pois a criação de imagens e sons mobiliza uma interação sensível e crítica do educando com o mundo, fazendo emergir uma interface entre corpo, mente e natureza que integra múltiplas dimensões de saberes, sentidos e afetos na tessitura de uma história.

A filósofa Joanna Macy identifica duas histórias que perpetuam a crise ambiental: o “Business as Usual”, que remete à continuidade dos negócios como de costume, negando a gravidade da situação atual; e o “Grande Desmoronamento”, que descreve o colapso dos sistemas naturais e sociais, prevendo um futuro de caos se nada mudar. Em oposição a elas, Macy propõe “A Grande Virada”, uma narrativa de esperança e transformação fundamentada na reconexão com a natureza que promove a sustentabilidade e a justiça socioambiental, em diálogo com as culturas e movimentos que aspiram o mesmo caminho para o planeta. Este é o horizonte narrativo do Programa Ecoar.

Ao longo da jornada, convidamos os educandos a produzir narrativas epistolares por meio dos filmes-cartas. Elas são intimamente ligadas à subjetividade de seus criadores e podem incluir uma única voz ou múltiplas vozes, humanas e não humanas, na elaboração de histórias que ecoam a gratidão, as angústias e ideias das crianças e jovens para regenerar o planeta.

Feito com compromisso político afetivo pela Arte vetorial de uma espiral Kangen Comunidade Criativa